sábado, 2 de junho de 2012

{o amor é cego}

Esperar outrem falar-me algo é uma espécie de batalha travada e já perdida, arrazoar-me para tanto faz-me um escravo de tal situação. Ouvir uma voz pode ser tão alentante? Talvez! Se essa voz está calada porque tenta distanciar de mim o seu suspiro, ouvi-la pode dar-me agonia. Não deveria ser assim, o som do amor é saudoso, é esperançoso, eu fico perdido em frear meus atos e esperar ser amado, tendo feito pacto em dar antes que receber. Mas só dar é racional? Não quer toda pessoa receber nem que seja um pouco quando mais precisa? Sei que ainda assim que o que posso dar extrapola a minha maneira de reter as coisas.


Penso que eu seja louco, sofro daquela peste, a doença que mata os poetas, mas que dá vida as poesias, dar-me tão intensamente que nada fica reservado em mim. Sou assim, não posso negar, mas preciso segurar em mim essa especie de dominação, para que não me torne um tolo. A razão é uma conselheira que aparece lutando contra o coração. Este diz: "vai", a primeira diz: "guarda-te". Se a razão não falasse eu certamente me precipitaria. Neste vaguear só eu me entendo, se bem que Deus me entenda sem compreender. Pois tais dilemas são para em quem habita a inteligência a burrice mais cega.


O amor cega? Não! Todo homem que ama precisa, no entanto, saber defini-lo com prudência para não pensar que os seus olhos pesam por causa dele. O que cega é a venda posta nos olhos pela mãos da doença. Outra vez dela fiz caso, falando sobre as sequelas que deixam na boca, no corpo, agora nos olhos. A luz não se apaga, percebo que os olhos estão vendados e não percebem o clarão.


Penso que preciso me conformar, depois que meu corpo declinar essa conformação se acaba.