Quando eu mergulhava em águas transparentes via diversas formas que me apraziam, enquanto o sol queimava minha pele e a lua ainda no clarão encantava o mesmo céu. Casarões e casebres distinguiam uns dos outros na beleza e também na paz. Ora, acontece que faz muito tempo que eu e minha dama trocávamos afetos, só por culpa minha, parece que quando se pensa ter a encontrado as coisas se tornam mais corriqueiras e não se dá a apreciação devida ao que se vale. Mas o vento, o mar, a areia da praia, os barcos e as velas me fazem pensar nela e ainda mais a desejar, e à noite, cansado pelos esforços em vão, vou me deitar só com um pouco de felicidade.
Quantos vasos também me inquietam, não pelo que trazem, mas pelo que aparentam. Sei não ser dela totalmente, pois que mesmo sem trazer no meu corpo mancha em culpa alguma, fico premeditando minha defesa se por acaso me virem acusar. Morro antecipadamente por não saber esperar o tempo oportuno, por vaguear desenfreadamente pela minha imaginação criando inúmeros personagens e cenas de teatro, chego a acreditar-me pouco enlouquecido, tudo porque não sou ainda dela o quanto necessito. É um massacre interior, meus inimigos não são os vasos, nem poderiam, nem são o que pensam de mim ou o que poderiam falar, mas somente aquilo que dou estima demasiada e acrescento peso esmagador, tais coisas são minha maior perturbação. Minha cabeça pensa tão rápido em coisas que não são reais, que me perco nelas pensando serem verdadeiras ainda que não acontecidas. Crio discursos, conversas, correções, sem que nada seja real, agoniado por não saber lidar com novidades ainda que sejam muito boas, talvez por serem tão boas me custem tantas energias, e esforços, e morte.
Deixando que entrem no meu íntimo consigo agora com ajuda de mãos divinas olhar tal ficção com mais cuidado, vejo realmente que me falta ainda, aqui ou ali, pertencer a minha princesa. É uma estrada longa, que não quero evitar seguir só porque não sei lidar com minhas fantasias, com o que é irreal. Não o que não é visto simplesmente, mas o que é criado para confundir a razão e deixá-la enfraquecida.
Minha razão enfraquecida por viajar no fictício me deixa assim, totalmente sem paz. Acalmo o mar bravio das minhas preocupações, uma pequena porção de água não poderia gerar tantas tempestades, mas a força que lhe introduzo é tão intensa que parece ser um oceano em fúria. Me entristeço e alguns me vêem assim e logo me perguntam o que há de acontecido. Me calo, tento não dizer o que meus pensamentos intencionam, mas o que realmente acontece é o que irreal se dá. Temo partilhar de tais metáforas, são quase contos infantis essas minha viagens sentimentais da consciência, quase um mito que tira tantas forças de mim que me sinto esvaído e perdido como um náufrago me afogando em ondas que eu mesmo faço nascer e agora farei morrer.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
XXIV {o nada} [trechos]
O homem que se deixa pertencer a ela encontrará certamente durante a estrada certas indagações a respeito dele mesmo, inveja por parte de alguns, desdém por parte de outros, traição, rancor, até ira ou ódio possam sentir por quem queira ser totalmente da bela princesa. E se assim fosse o contrário questionável seria estar a nau no rumo certo, pois que, as intempéries fazem parte das rotas dos mares. É nesta hora que se sabe a quem de fato se conhece, ou a quem verdadeiramente se pertence: quando a lua não mais dá seu brilho, quando nos derredores tudo contrasta, quando no íntimo nada é estável. Talvez, quando todo este confuso se der, se consiga ver ela em seu total esplendor, porque o nada é a condição mais próxima dessa senhora. Quando se despedaçam os sonhos, quando morrem as expectativas, quando tremem as bases e há instabilidade e em todo este meio nada mais consiga prender a vida de alguém. Me sinto assim, meu tapete foi puxado, estou no chão e em nada posso me agarrar, nenhuma das mutáveis seguranças são mais meu porto, de certa forma, quase que de maneira obrigada, sou lançado a ver que tal condição é oportuna para se dar a ela.
Minha dama, cada hora aqui neste matadouro é um tormento. Quero te ter e fico dividido, em mim mesmo desencontrado, trouxe tantas coisas comigo para caminhar na tua direção que os meus passos se tornaram pesados e parece que é uma eternidade cada segundo que demoro para me achegar a ti. Do meu lado passos iguais aos meus não confiam em nada que lhes seja dito, outros traem seus corações e o amor que conheceram e isso também me deixa como mar bravio. Sons de toda a espécie insistem que desista de ti. Mas eu te desejo, sim minha dama, me perderia longe de ti, pois ninguém como tu conhece o que é perene. Eu não viveria sem ti. Essa dolorosa hora me deixa confuso, mas não conseguirá me separar das tuas mãos. Nossos dedos entrelaçados firmam nossa união, e me vejo assegurado somente nas suas pontas e todo o resto do meu corpo sugado por forças que não sou capaz de conter. Não me largueis aqui nesta terra de ninguém, segurai firme meus dedos, eu suplico minha doce rainha, segurai com toda a força que tens e aproximai-me de ti, para que nos abracemos e eu sinta outra vez a paz do teu regaço.
Uma pequena angústia ocupa meus pensamentos, deixar ir embora aquele que se engana a paga da sua doença é inevitável, ao mesmo tempo dilacerante. Perder não amáveis talvez não cause tanto desprendimento, quem se ama quando se vai leva consigo pesadas correntes, mas também faz decair numerosas estrelas. Aprendo um pouco mais a ser dela, fico galgando uma pequena presença que me console, mas ninguém tem forças suficientes para tanto, nem consolar nem ser consolado, deixo que me tirem essas algemas que buscam algo que não seja ela.
Ó minha dama, desfalecimento, fraquezas, dores, fadigas e tudo o mais que possa expressar desânimo, tentam tomar conta de minha vida. Mas que faria? Me entregaria? Desceria desenfreado a caminho da morte? Cederia aos meus condicionamentos? Me levanto para compreender o que em mim fraqueja, para que não seja outro a ceder à perda, a perda que é a busca do ganho doutras coisas que não teu amor. Saem pela porta os que comungam comigo até mesmo da sede de ti, mas não os culpo por tal escolha, talvez fizesse eu o mesmo se não buscasse curar minhas doenças. Uns saem, outros viajam, vão a tão incontável distância que se deixam perder da vista e também perdem a mira dos seus olhos, ficam dias assim, talvez por não te conhecerem, compreendo na carne tal situação, até que se abram os ouvidos para tua voz perdidos ficam todos os que não sabem o que procuram, ou não sabem onde encontrar.
Minha dama, cada hora aqui neste matadouro é um tormento. Quero te ter e fico dividido, em mim mesmo desencontrado, trouxe tantas coisas comigo para caminhar na tua direção que os meus passos se tornaram pesados e parece que é uma eternidade cada segundo que demoro para me achegar a ti. Do meu lado passos iguais aos meus não confiam em nada que lhes seja dito, outros traem seus corações e o amor que conheceram e isso também me deixa como mar bravio. Sons de toda a espécie insistem que desista de ti. Mas eu te desejo, sim minha dama, me perderia longe de ti, pois ninguém como tu conhece o que é perene. Eu não viveria sem ti. Essa dolorosa hora me deixa confuso, mas não conseguirá me separar das tuas mãos. Nossos dedos entrelaçados firmam nossa união, e me vejo assegurado somente nas suas pontas e todo o resto do meu corpo sugado por forças que não sou capaz de conter. Não me largueis aqui nesta terra de ninguém, segurai firme meus dedos, eu suplico minha doce rainha, segurai com toda a força que tens e aproximai-me de ti, para que nos abracemos e eu sinta outra vez a paz do teu regaço.
Uma pequena angústia ocupa meus pensamentos, deixar ir embora aquele que se engana a paga da sua doença é inevitável, ao mesmo tempo dilacerante. Perder não amáveis talvez não cause tanto desprendimento, quem se ama quando se vai leva consigo pesadas correntes, mas também faz decair numerosas estrelas. Aprendo um pouco mais a ser dela, fico galgando uma pequena presença que me console, mas ninguém tem forças suficientes para tanto, nem consolar nem ser consolado, deixo que me tirem essas algemas que buscam algo que não seja ela.
Ó minha dama, desfalecimento, fraquezas, dores, fadigas e tudo o mais que possa expressar desânimo, tentam tomar conta de minha vida. Mas que faria? Me entregaria? Desceria desenfreado a caminho da morte? Cederia aos meus condicionamentos? Me levanto para compreender o que em mim fraqueja, para que não seja outro a ceder à perda, a perda que é a busca do ganho doutras coisas que não teu amor. Saem pela porta os que comungam comigo até mesmo da sede de ti, mas não os culpo por tal escolha, talvez fizesse eu o mesmo se não buscasse curar minhas doenças. Uns saem, outros viajam, vão a tão incontável distância que se deixam perder da vista e também perdem a mira dos seus olhos, ficam dias assim, talvez por não te conhecerem, compreendo na carne tal situação, até que se abram os ouvidos para tua voz perdidos ficam todos os que não sabem o que procuram, ou não sabem onde encontrar.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
XXIII {voltas} [íntegra]
Convencido estou a respeito da minha dama e da verdade onde a encontro, dentro de mim um festim de alegria se levanta. Mesmo que nada aconteça como quisera, vejo júbilo apenas em ter andado um pouco mais em tão pouco tempo, os relógios não contam o que cresci sem que contasse eu a proporção dos dias. Pensava eu que os esforços para encontrá-la valiam só por ser esforços e o anúncio do meu íntimo a almas que me conheciam foi o que me levou a encontrá-la guardada nas partes que eu nunca esperei. Ser dela é algo que minha constância agarra quando permanece. Acreditado, não por ser convincente, mas por ser verdadeiro é o que eu computo de outras pessoas a quem entreguei os meus receios, que não mais são só meus. O fechamento deu lugar à abertura, num caminho diferente ao que tinha sido trilhado, as chaves da minha alma estavam em mãos confiantes que me permitiram ver não só o mal consentido, mas agora o bem desejado com forças que se levantavam contra aquelas que fraquejavam.
Minha dama, viver contigo é um prêmio que merecidamente não posso ter, mas que agradecidamente abraço. Questionado a respeito do que sinto só prevalece a verdade, seja do que aconteceu e do que espero que aconteça, um e outro tem seu nome no meu ser, talvez ferida e bálsamo. Agora o segundo, se derrama por sobre o que é ferida e te reconheço agindo aqui elevando-me da condição medíocre da vassalo de mim mesmo a soberano sobre a carne. É prêmio valoroso e impagável conhecer a ti, que eu não me acostume e saiba dar-te o devido amor e afeto, pois os beijos que saem dos teus lábios trazem, com teu hálito perfumado, uma maravilhosa sensação no íntimo, uma mistura de alegria com eternidade.
Tantas vezes foi tão contrária a realidade. Provei cravos de ferro serem fincados na minha carne porque fui atender aos apelos de uma doença. Hoje vejo o quanto sofri sem que fosse necessário. Mas a dor do fracasso ensinou-me ser teu, minha face lançada no chão aprendeu o valor do tempo. Parece que dar muitas voltas é típico de quem não aprende a ser o que precisa, no lugar de ser o que quer. De fora, como o ferro, fui jogado no fogo, depois malhado com pancadas e atirado na água fria até chegar a têmpera, isso me fez grande bem. Nesta hora, com o meu corpo provado, vejo virem a mim os sonhos que solitariamente cultivei sem que a minha esperança se tornasse demasiada, um dom divino que me deste e que não perde seu preço porque não realizo a consecução do objeto esperado. Quero resoluções e não somente conseguir ou ter em mãos a posse de um bem. Tais sonhos, que disto só trazem o nome, porque são mais realidades almejadas e no fogo e na água experimentadas, são de forma inusitada algo que chegara a ser desacreditado. As palavras que tivera eu escutado, dama minha, foram tão funestas e pesadas, que tinha dúvidas se chegaria eu aqui a ter sem meus intentos desonestos o que com pureza minha alma a tanto queria. Mais ainda te conheci, na honestidade e não na farsa, na espera e não no desassossego desesperado por obtenção. Tão curto o caminho e eu procurando labirintos, mas nunca é tão tarde para se dar a possibilidade do rumo certo, como nunca é tão determinado o que foi feito que possa estipular séculos de andar. Tudo é possível aquele que se entrega desmedidamente a ti.
Minha dama, viver contigo é um prêmio que merecidamente não posso ter, mas que agradecidamente abraço. Questionado a respeito do que sinto só prevalece a verdade, seja do que aconteceu e do que espero que aconteça, um e outro tem seu nome no meu ser, talvez ferida e bálsamo. Agora o segundo, se derrama por sobre o que é ferida e te reconheço agindo aqui elevando-me da condição medíocre da vassalo de mim mesmo a soberano sobre a carne. É prêmio valoroso e impagável conhecer a ti, que eu não me acostume e saiba dar-te o devido amor e afeto, pois os beijos que saem dos teus lábios trazem, com teu hálito perfumado, uma maravilhosa sensação no íntimo, uma mistura de alegria com eternidade.
Tantas vezes foi tão contrária a realidade. Provei cravos de ferro serem fincados na minha carne porque fui atender aos apelos de uma doença. Hoje vejo o quanto sofri sem que fosse necessário. Mas a dor do fracasso ensinou-me ser teu, minha face lançada no chão aprendeu o valor do tempo. Parece que dar muitas voltas é típico de quem não aprende a ser o que precisa, no lugar de ser o que quer. De fora, como o ferro, fui jogado no fogo, depois malhado com pancadas e atirado na água fria até chegar a têmpera, isso me fez grande bem. Nesta hora, com o meu corpo provado, vejo virem a mim os sonhos que solitariamente cultivei sem que a minha esperança se tornasse demasiada, um dom divino que me deste e que não perde seu preço porque não realizo a consecução do objeto esperado. Quero resoluções e não somente conseguir ou ter em mãos a posse de um bem. Tais sonhos, que disto só trazem o nome, porque são mais realidades almejadas e no fogo e na água experimentadas, são de forma inusitada algo que chegara a ser desacreditado. As palavras que tivera eu escutado, dama minha, foram tão funestas e pesadas, que tinha dúvidas se chegaria eu aqui a ter sem meus intentos desonestos o que com pureza minha alma a tanto queria. Mais ainda te conheci, na honestidade e não na farsa, na espera e não no desassossego desesperado por obtenção. Tão curto o caminho e eu procurando labirintos, mas nunca é tão tarde para se dar a possibilidade do rumo certo, como nunca é tão determinado o que foi feito que possa estipular séculos de andar. Tudo é possível aquele que se entrega desmedidamente a ti.
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