Como são ingratos esses dias sem ti, dezembro é tristeza e solidão quando não te espreitas à minha porta, quando aquelas insinuações de outras me alentam por segundos apenas ao sensível. De sensações e sensações meu corpo se cansa e esses dias se tornam um labor exaustivo e uma desenfreada queda em direção de si mesmo. No prazer e só nele, meus membros encontram um pouco de tranquilidade, que posso chamar de anestesia. Mas o definitivo que deseja o meu ser é tão diferente disso que em segundos se passa, que no esconderijo do íntimo sei o que procura de fato esta satisfação, esse gozo. Só maldade, somente deslealdade e desonestidade, sofro e vejo nesses dias, do tipo que prende tudo ao que se foi, até à promessas atrasadas, ou do tipo deslealdade que me tenta obrigar a corresponder à altura do ato que me fora empreendido.
Minha virgem, minha dama, vem ao meu encontro, que as serras se abaixem quando virem vossa beleza, que os ventos parem ao suspiro de tua boca, que a flores exalem o teu cheiro e pureza, te desejo minha bela, eu pior que fera te quero tão puramente que estremeço nos meus nervos o anelo que trago de ti.
É tão magnífico te encontrar, tão cheio de graça o sorriso de teus lábios, tão fascinante a luz dos teus olhos. Sempre que ao gosto do tato te aprecio meus dias são tão ricos e vigorosos, sempre tão leves e espontâneos. Fica para sempre, não deixes que meus pensamentos possam correr noutra direção que não tu minha senhora. Não, não quero jamais ter que esperar por outra que não a ti. Vem amada! Minha vida é vida quando nos encontramos, sabes disso como também eu o sei e quero que seja eterno. Na minha memória, vão e voltam o prazer de relembrar nossos abraços, ao passo que quando vão perdem o gozo, mas quando chegam trazem felicidade. Por isso desejo a imutabilidade para que as circunstâncias não favoreçam minha prisão fora de ti.
Os murmúrios da noite reclamam uma libertina senhora que lhes multiplica o efêmero, ao passo que minha rainha se dá a todos com eternidade. Como somos cegos, a treva e a nuvem encobriram nossas visões para o império libertador, preferindo com tal cegueira depender do prescindível.
Minha cama está a espera para que no sono eu também te encontre, não somente sonhando, mas no repouso da fadiga poder provar que o limite nos permite proximidade, mesmo que deste eu não posse me soltar, ele não me impede de se todo teu à medida que quando ele é mais forte eu sou capaz de vencê-lo, até que na hora derradeira ele mesmo seja mediador de nossos encontros. Sim minha dama, até o cansaço me deixa te ver agora sem o gosto do descanso só com o esforço do desprendimento, de si mesmo e até do que é justo.
Amada minha, não tardeis em me dar vossos beijos, não demoreis em me dar vossos abraços, nem me proveis na espera de ti, correi ao redor de minha tenda e deixa teus cabelos graciosos pularem comigo ao som do vento sobre as folhas. Minha querida voltemos aos dias de outrora quando andávamos sem medo no jardim, sem ladrões, sem prisões, sem dores. Voltemos às nossas núpcias, àquela entrega total dum ao outro. Voltemos minha amada, ou volte somente eu, pois eu sou o mutável desta história.
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