Estava tão quente o dia, um lugar tão diferente daquele onde comumente nos encontrávamos, minhas roupas molhadas de suor procurando uma brisa para apaziguar o mormaço deixado pelo calor do sol. Na minha tenda, onde o calor não era tanto sentia-me bem com tua suave presença, à noite o deserto arrefecia de tal forma que chegava a fazer frio, mas noutras terras isso não acontecia, meus costumes eram perdidos quando nelas, refrigérios dos mais distintos introduziam-se em mim, quer na bebida, quer na comida, mas o calor insuportável faziam-lhes parecer quais gotas d'água sobre chão seco. Uma refrescante varanda seria bom lugar para estarmos juntos, talvez numa rede ou deitados sobre o chão frio, mas o calor precisaria passar e nossas núpcias continuarem, sem o desconforto do suor nas mãos, nem no toque das nossas peles. Sei parecer loucura, procurar o vento para testemunhar nosso esponsal, mas ele, que te assemelha a direção é único para gerar clima ameno no nosso desposar.
Meu sono vai chegando, se fosse menos calor ficaríamos mais aqui. Depois de saciado o estômago o corpo pede descanso sem que se lhe possa negar esse direito tão justo mediante tamanha têmpera. Muita sede e demasiado cansaço deixam as horas aqui como que prisioneiras, demoram-se a passar e tudo fica delongado pelo seco e árido ambiente ainda sequelado pelo quente. Eu e tu minha dama, ficamos a distância, esse fogo que arde fora me impede aproximar-me. Enquanto meu corpo todo sujo exige um banho, me apercebo cada dia mais menos teu, quando não tenho o que quero na hora e minhas carências a atenção que esperam. Sou menos teu, minha rainha, menos cada vez que quero mais essas coisas que a nossa união- Minhas mãos procuram janelas, enquanto elas abertas só passam o ar movimentado e eu ponho no centro um colo que tanto queria. Mas nem colo, nem brisas amenas conseguem me fazer ser só teu, porque até elas busco por interesse e sem elas não consigo passar minutos.
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