Escutei o som de belos instrumentos, ausência de cordas afinadas num ou noutro e a tentativa de alguém querer-lhes tirar o mínimo de barulho agradável. Algumas melancólicas melodias me deixaram inquieto, quase que sem paz, por causa das lembranças que me causaram. Pensei em ti nesta hora, as palmas que batiam perto de mim agradeciam a vida de alguém, mas também incomodavam pelo ritmo incerto, e ao mesmo tempo quebrado, de mãos que não sabiam contar compassos. Pensei em ti, pensei em nós dois, nas nossas danças, que ao som de vozes e notas alcançavam harmonia.
Minha rainha, a voz que tenta sobressair, alcançar um tom mais alto, grita e perde entonação, eu tão levado por condições delicadas me imponho também tal grito, para que chegue minha voz imposta a altura que desejo alcançar, mas não te alcanço, o que consigo somente é tom sobre tom, semi-tons e oitavas que nada valem sem ti, se perdem com o vento e o tempo, assim como na pauta que vai na direção contrária a dos olhos só podendo voltar por sinais. Que condição tão ínfima. Eu quero uma vida de canções puras, de canções de nós dois, mas o máximo que minha limitada fraqueza chega é ao desafino da minha rouca voz, cansada por gritar perdida por aquela que deseja. Se me escutas, atende os meus apelos, e junta-te a mim, para que o sentido das minhas músicas se encontrem, para que tu sejas, minha dama, o motivo das minhas composições, das minhas pausas, dos meus silêncios.
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