Convencido estou a respeito da minha dama e da verdade onde a encontro, dentro de mim um festim de alegria se levanta. Mesmo que nada aconteça como quisera, vejo júbilo apenas em ter andado um pouco mais em tão pouco tempo, os relógios não contam o que cresci sem que contasse eu a proporção dos dias. Pensava eu que os esforços para encontrá-la valiam só por ser esforços e o anúncio do meu íntimo a almas que me conheciam foi o que me levou a encontrá-la guardada nas partes que eu nunca esperei. Ser dela é algo que minha constância agarra quando permanece. Acreditado, não por ser convincente, mas por ser verdadeiro é o que eu computo de outras pessoas a quem entreguei os meus receios, que não mais são só meus. O fechamento deu lugar à abertura, num caminho diferente ao que tinha sido trilhado, as chaves da minha alma estavam em mãos confiantes que me permitiram ver não só o mal consentido, mas agora o bem desejado com forças que se levantavam contra aquelas que fraquejavam.
Minha dama, viver contigo é um prêmio que merecidamente não posso ter, mas que agradecidamente abraço. Questionado a respeito do que sinto só prevalece a verdade, seja do que aconteceu e do que espero que aconteça, um e outro tem seu nome no meu ser, talvez ferida e bálsamo. Agora o segundo, se derrama por sobre o que é ferida e te reconheço agindo aqui elevando-me da condição medíocre da vassalo de mim mesmo a soberano sobre a carne. É prêmio valoroso e impagável conhecer a ti, que eu não me acostume e saiba dar-te o devido amor e afeto, pois os beijos que saem dos teus lábios trazem, com teu hálito perfumado, uma maravilhosa sensação no íntimo, uma mistura de alegria com eternidade.
Tantas vezes foi tão contrária a realidade. Provei cravos de ferro serem fincados na minha carne porque fui atender aos apelos de uma doença. Hoje vejo o quanto sofri sem que fosse necessário. Mas a dor do fracasso ensinou-me ser teu, minha face lançada no chão aprendeu o valor do tempo. Parece que dar muitas voltas é típico de quem não aprende a ser o que precisa, no lugar de ser o que quer. De fora, como o ferro, fui jogado no fogo, depois malhado com pancadas e atirado na água fria até chegar a têmpera, isso me fez grande bem. Nesta hora, com o meu corpo provado, vejo virem a mim os sonhos que solitariamente cultivei sem que a minha esperança se tornasse demasiada, um dom divino que me deste e que não perde seu preço porque não realizo a consecução do objeto esperado. Quero resoluções e não somente conseguir ou ter em mãos a posse de um bem. Tais sonhos, que disto só trazem o nome, porque são mais realidades almejadas e no fogo e na água experimentadas, são de forma inusitada algo que chegara a ser desacreditado. As palavras que tivera eu escutado, dama minha, foram tão funestas e pesadas, que tinha dúvidas se chegaria eu aqui a ter sem meus intentos desonestos o que com pureza minha alma a tanto queria. Mais ainda te conheci, na honestidade e não na farsa, na espera e não no desassossego desesperado por obtenção. Tão curto o caminho e eu procurando labirintos, mas nunca é tão tarde para se dar a possibilidade do rumo certo, como nunca é tão determinado o que foi feito que possa estipular séculos de andar. Tudo é possível aquele que se entrega desmedidamente a ti.
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