quinta-feira, 30 de junho de 2011

XXV {fantasias} [íntegra]

Quando eu mergulhava em águas transparentes via diversas formas que me apraziam, enquanto o sol queimava minha pele e a lua ainda no clarão encantava o mesmo céu. Casarões e casebres distinguiam uns dos outros na beleza e também na paz. Ora, acontece que faz muito tempo que eu e minha dama trocávamos afetos, só por culpa minha, parece que quando se pensa ter a encontrado as coisas se tornam mais corriqueiras e não se dá a apreciação devida ao que se vale. Mas o vento, o mar, a areia da praia, os barcos e as velas me fazem pensar nela e ainda mais a desejar, e à noite, cansado pelos esforços em vão, vou me deitar só com um pouco de felicidade.

Quantos vasos também me inquietam, não pelo que trazem, mas pelo que aparentam. Sei não ser dela totalmente, pois que mesmo sem trazer no meu corpo mancha em culpa alguma, fico premeditando minha defesa se por acaso me virem acusar. Morro antecipadamente por não saber esperar o tempo oportuno, por vaguear desenfreadamente pela minha imaginação criando inúmeros personagens e cenas de teatro, chego a acreditar-me pouco enlouquecido, tudo porque não sou ainda dela o quanto necessito. É um massacre interior, meus inimigos não são os vasos, nem poderiam, nem são o que pensam de mim ou o que poderiam falar, mas somente aquilo que dou estima demasiada e acrescento peso esmagador, tais coisas são minha maior perturbação. Minha cabeça pensa tão rápido em coisas que não são reais, que me perco nelas pensando serem verdadeiras ainda que não acontecidas. Crio discursos, conversas, correções, sem que nada seja real, agoniado por não saber lidar com novidades ainda que sejam muito boas, talvez por serem tão boas me custem tantas energias, e esforços, e morte.

Deixando que entrem no meu íntimo consigo agora com ajuda de mãos divinas olhar tal ficção com mais cuidado, vejo realmente que me falta ainda, aqui ou ali, pertencer a minha princesa. É uma estrada longa, que não quero evitar seguir só porque não sei lidar com minhas fantasias, com o que é irreal. Não o que não é visto simplesmente, mas o que é criado para confundir a razão e deixá-la enfraquecida.

Minha razão enfraquecida por viajar no fictício me deixa assim, totalmente sem paz. Acalmo o mar bravio das minhas preocupações, uma pequena porção de água não poderia gerar tantas tempestades, mas a força que lhe introduzo é tão intensa que parece ser um oceano em fúria. Me entristeço e alguns me vêem assim e logo me perguntam o que há de acontecido. Me calo, tento não dizer o que meus pensamentos intencionam, mas o que realmente acontece é o que irreal se dá. Temo partilhar de tais metáforas, são quase contos infantis essas minha viagens sentimentais da consciência, quase um mito que tira tantas forças de mim que me sinto esvaído e perdido como um náufrago me afogando em ondas que eu mesmo faço nascer e agora farei morrer.

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