A expectativa toma conta de mim agora, e como um gladio vara meu corpo transpassando-o amargosamente, uma ânsia se apodera de minhas forças e fico parado no tempo sem nada fazer. Uma paralisia me tomou por inteiro, e não sei sair do lugar esperando que me venham notícias de terras distantes ou de lugares que não alcanço. Sempre foi assim, mas agora, jogado nos braços dessa amorosa dama, não me mato com tanta violência como outrora, pois antigamente minhas decisões estavam plenas de compensação. Sei que o que compenso se torna meu vilão e que para o vício se tonar necessidade só basta ser empurrado no precipício, sei também que minha rainha me concede tantas alegrias, que rejeitar minhas solicitações é atender ao apelo dela.
Poderia eu, com algumas simples palavras fazer cessar esse corrimento de sangue e reter embaixo da pele todo o seu fluxo até que inchasse e coagulasse. Mas o mesmo sangue que corre lava e põe para fora de mim impurezas das mais diversas. Não posso frear as seqüelas que eu mesmo me introduzi, o que posso é com maturidade assumir o preço deste instante que parece não passar.
Nunca imaginei que quisesse ouvir até um não, é a disposição que nesta hora encontro dentro de mim, não fazendo desmerecer a espera de uma resposta que possa seguir por toda a vida, mas a resolução clara, sem dubialidade. Sim ou não produzem em mim praticamente a mesma conseqüência visto que o fim de um e de outro me trará a paz, em ânsia o sim, mas preparado para o não, um e outro me deixarão conhecer minha dama mais um pouco, é um fruto maravilhoso que provo comer e se não tivesse agindo com coerência para degustá-lo poderia beber do fel sem sabor do infortúnio.
Por minha dama sou capaz de tudo, até de me aniquilar para tê-la, não quero que aconteça o que antes dela se reproduzia como uma peste, quero sim, que tudo o que aconteça dentro de mim seja como esponsal entre eu e ela, onde os nossos amores se realizem.
Flores, campos, tesouros, tudo isto tem um outro sentido quando nós unidos, até os amores menores encontram nela seu fundamento. E como me introduz, na minha morada, a tranqüilidade que preciso e como minha tenda fica mais iluminada quando eu e ela nos dispomos um para ou outro, eu por decisão, quando quero, ela por natureza e perenidade, sempre me buscando e deixando-se ser encontrada por mim.
Não poderia esmiuçar o que é o agora. Se sofro por esperar, também gozo por ver o que faz em mim tanto desprendimento, sinto meu peito arder em alegria, mesmo envolto a um canteiro de espinhos perfurantes. O que poderia explicar tal cenário? Eu quero respostas, e elas não vindo não me causam tanta morte como no tempo de minha imaturidade. Como estou feliz, por achar nesta situação um pouco de compreensão, um pouco de lucidez e beleza, estava perdido, agora vejo o que me pode dar a minha rainha quando estou decidido em não perdê-la.
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