Acordei assim, amada minha, com vontade intensa de que as coisas fossem como antes, mas não quero voltar ao tempo de antes, quero coisas de antes no tempo de agora. Como se pudesse ser agora como fora outro dia, como naquele tempo em que eu não reclamava ausências por elas não existirem. Daquele tempo eu quero o beijo, o abraço, o toque, o calor, a presença, coisas tão valorosas, então escassas e longe, não mais como antes.
Enquanto o vazio reclama plenitude, o meu ser se perde em pensamentos dos mais variados, buscando talvez reter o mínimo de compreensão ao que se me apresenta. Ora, existem coisas que nem o mais douto dos homens é capaz de esmiuçar, existem intenções que nem a mais pura ciência explica. Tenho que concordar, o coração tem razões que a razão desconhece, em alguns momentos faz loucuras que a própria loucura desconhece.
Ter esperança transformou-se em desolação para mim, como se pensar no possível fosse contrariar a probabilidade mais tangível, expectar tornou-se uma lide tão variável quanto pensamentos adolescentes.
Enquanto aspiro as reticências da vida e tento terminar minhas palavras apenas com uma vírgula, me deparo com a realidade cruenta, dura. Terei que retomar o caminho, refazer minhas escolhas, sentar novamente, recalcular, ponderar outra vez, negociar a paz e tentar reencontrar a solidez perdida para nela construir uma morada nova onde reine, novamente, minha amável dama.
Aquela vontade antiga está constrangida, pois o antes morreu e este instante de engano é tão traiçoeiro quanto armadilhas inimigas. Neste ínterim, alguns sorrisos parecem bonitos, porém à distância quase tudo é miragem, no entanto, de perto as coisas ficam mais reais, menos aparentes. Assim me apercebo, como o personagem que outrora dizia: vou-me acabando noite e dia... Canso-me, frustro-me, decepciono-me, firo-me. Só por ter dado poderes a outrens e em suas mãos ter ficado, sem sono, confuso, perdido.
Amada minha, sempre imaginei que o infortúnio me pudesse permitir aproximar-me de ti, porém, nunca o desejei como enlace para nós dois. Mas veio ele e me importunou nas madrugadas, veio e me fez escrever-te novas linhas, mesmo as antigas ainda não sendo velhas. São essas antigas linhas o retrato de uma mesma alma que se surpreende ao se encontrar novamente em coisas que pensara ter superado.
Tentei outros rumos, fiz outros caminhos, mas quando os pés são não se propõem passos largos o caminho é tão enfadonho quanto o que já fora trilhado. Neste caminho, as vozes não me deveriam causar surpresa, elas mudam o timbre e o tom e disso eu já deveria estar imune, mas o coração louco apedreja a razão e torna mais incerto o amanhã só por um erro de contas. O número está para o sentimento assim como a água para o óleo.
{embevecido}
[enlevado, arrebatado, extasiado] trechos do livro
sábado, 9 de março de 2013
sábado, 2 de junho de 2012
{o amor é cego}
Esperar outrem falar-me algo é uma espécie de batalha travada e já perdida, arrazoar-me para tanto faz-me um escravo de tal situação. Ouvir uma voz pode ser tão alentante? Talvez! Se essa voz está calada porque tenta distanciar de mim o seu suspiro, ouvi-la pode dar-me agonia. Não deveria ser assim, o som do amor é saudoso, é esperançoso, eu fico perdido em frear meus atos e esperar ser amado, tendo feito pacto em dar antes que receber. Mas só dar é racional? Não quer toda pessoa receber nem que seja um pouco quando mais precisa? Sei que ainda assim que o que posso dar extrapola a minha maneira de reter as coisas.
Penso que eu seja louco, sofro daquela peste, a doença que mata os poetas, mas que dá vida as poesias, dar-me tão intensamente que nada fica reservado em mim. Sou assim, não posso negar, mas preciso segurar em mim essa especie de dominação, para que não me torne um tolo. A razão é uma conselheira que aparece lutando contra o coração. Este diz: "vai", a primeira diz: "guarda-te". Se a razão não falasse eu certamente me precipitaria. Neste vaguear só eu me entendo, se bem que Deus me entenda sem compreender. Pois tais dilemas são para em quem habita a inteligência a burrice mais cega.
O amor cega? Não! Todo homem que ama precisa, no entanto, saber defini-lo com prudência para não pensar que os seus olhos pesam por causa dele. O que cega é a venda posta nos olhos pela mãos da doença. Outra vez dela fiz caso, falando sobre as sequelas que deixam na boca, no corpo, agora nos olhos. A luz não se apaga, percebo que os olhos estão vendados e não percebem o clarão.
Penso que preciso me conformar, depois que meu corpo declinar essa conformação se acaba.
Penso que eu seja louco, sofro daquela peste, a doença que mata os poetas, mas que dá vida as poesias, dar-me tão intensamente que nada fica reservado em mim. Sou assim, não posso negar, mas preciso segurar em mim essa especie de dominação, para que não me torne um tolo. A razão é uma conselheira que aparece lutando contra o coração. Este diz: "vai", a primeira diz: "guarda-te". Se a razão não falasse eu certamente me precipitaria. Neste vaguear só eu me entendo, se bem que Deus me entenda sem compreender. Pois tais dilemas são para em quem habita a inteligência a burrice mais cega.
O amor cega? Não! Todo homem que ama precisa, no entanto, saber defini-lo com prudência para não pensar que os seus olhos pesam por causa dele. O que cega é a venda posta nos olhos pela mãos da doença. Outra vez dela fiz caso, falando sobre as sequelas que deixam na boca, no corpo, agora nos olhos. A luz não se apaga, percebo que os olhos estão vendados e não percebem o clarão.
Penso que preciso me conformar, depois que meu corpo declinar essa conformação se acaba.
domingo, 27 de novembro de 2011
XXXIV {pequenas gotas} [íntegra]
Algumas discussões me incomodam. Sempre tento ser persuasivo o bastante e ter o melhor argumento. Acontece que coisas infantis não precisam de palavras, por si perdem qualquer disputa. Mas quem vê a infantilidade quando ela aparece como brincadeira? Quem vê em ato engraçado a figura de um menino? Li isto de um sábio homem: "Quando eu era criança, pensava como criança, agia como criança, agora que sou adulto faço coisas de adulto.". A ignorância, tida em conta de minimizar o erro é sempre válida. O que não sabe estar errado não erra. Ou pelo menos erra sem os mesmos agravantes do conhecedor do erro. Se me vissem criancinha fazer algo digno de censura, sem demoras me levariam à disciplina, sem considerar a ingenuidade infantil, por não saber a grandeza do erro eu seria exortado a não cometer outra vez este ato. Ora, quando adulto, agora com minha consciência cheia de saber não me imputam erro quando faço as mesmas coisas que era criança. O que faz tal comportamento ser censurado quando em tenra idade se tornar aceitável quando o homem crescido? A consciência? A máscara da brincadeira? Se uma criança quando brinca comete um engano tal equívoco deve ser desconsiderado em sua educação? Se dissermos que não, motivados pela necessidade que tem tal criança de crescer sadiamente acabamos lançando culpa sobre os nossos atos adultos. Pois se quando pequeno, imaturo, sem discernimento suficiente, ainda ignorante posso ser censurado e ter em conta tais fatores a meu favor. Quando adulto, por ser grande, maduro, digno de discernimento, não mais ignorante sou réu dessas virtudes.
Esse tema é inesgotável, como tantos outros que me questionam o íntimo. Aqueles que trago sempre comigo, que vez ou outra me incomodam. Amores, paixões, sentimentos, sensações, pensamentos... São infindas essas outras. Agora é tudo tão diferente de tempos anteriores, minhas paixões mudaram, não a intensidade, mas a forma. Crescer eleva-me, me tira daquela condição rastejante em que outrora me eram mais pesados os vícios que as virtudes. Vejo virtudes onde antes imperavam paixões, vejo amores onde outras paixões me encantavam. Estou mudando. Não falo de grandes coisas, aquelas pedrinhas que me deixavam inquieto como se fossem enormes montanhas agora reconhecem seu tamanho. Aprendi a olhar diferente para mim mesmo, sem dar valor demasiado ao mutável.
Minha amada, o que queres? Diz-me. Está tão tarde, me sinto bem, vejo o teu belo rosto. Queria dizer-te que amo-te de forma intensa, incessante. Como se lançam as águas duma cascata abundante, com tanto fragor, como torrentes, assim meu amor se joga em teus braços. Vem, amada minha, façamos hoje ainda canções e poesias para exaltar nosso amor. Tão precioso tal instante que se pudesse o eternizaria nalgum retrato. Mas quem pode ver-nos, sem que nos ignore? Quem poderá compreender-nos sem que nos questione? Deixemos entre nós. Fiquemos a sós e amemo-nos. O brilho dos astros nos toca, nos percebe, que se encante com nossas núpcias. Aquela pequena estrela que constantemente crepita vê-nos, mande-mo-lhe beijos, acenemos nossa alegria. Olha, estrela, tu que és bela, tu nos tens se o quiserdes ou poderás voltar atrás e rejeitar-nos.
Esses dias são outros, essa noite é outra, esse sonho não é igual. Minha morada exulta sem nada receber, só porque pensa amando, se dá amando, exulta. Nem o cansaço dos meus olhos me fazem querer deixar em branco esse instante. Minha rainha, minha querida senhora, está tão unida a mim que sinto nos meus dedos o fulgor da sua alma. Já estava a sentir falta de tamanha delícia, um gosto tão aprazível que ninguém o suporta na totalidade, como que em pequenas gotas prova dele, esta gotícula que experimento é demais grandiosa para tão ínfima matéria. Que alma suportaria, sem morrer, conhecer-te totalmente amada minha. Agradeço-te esta hora avançada, este sono que me bate, repousarei contigo, desposar-te-ei esta noite toda e provarei no meu sono os teus beijos.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
XXXII {mercenário} [íntegra]
Sou um bobo, quase menino, daqueles que se alegram com pouquinha coisa, que se enganam com um pequeno presente, que sorriem com fisionomias deformadas de outrem. E se me alegro com pouco, com menos ainda me amarguro. Me mandam um beijo e sinto-me nas alturas, penso-me superior por tão ínfima coisa, o juntar de lábios que para mortais representam coisa tão forte. Sinto a ausência de abraços, afagos, palavras, atenção. Cobro e espero que alguns me dêem o que lhes dei. Sou mais que tolo, diria, um mercenário que espera receber o preço do que vende. Que entrave! De um lado combato, do outro sou atacado, tento me convencer que não preciso conformar-me por ser miserável, mas grande número de sofrentes é assim, me conformar seria cumprir uma espécie de lei geral.
De paixões em paixões acabo me lançando. Penso que todo poeta gosta sofrer para na página expor seus sentimentos. Na metade da minha vida não quero ser como os outros, acho imerecido tanto enlevo morrer na solidão. Risadas anaimantes dão prazer indelével, aninhar-se noutra alma é boníssimo até que seja desmontado esse ninho e se caia por terra o pássaro pequeno agora envolto em perigos. Quantos ninhos eu quis, quantos ainda quero, mesmo sabendo da sua indigência. Tu me vês! As questões se repetem, aparecem diante dos meus olhos os mesmos quadros, pintados com a mesma figura, montando o mesmo cenário, expondo o mesmo passado, anunciando o mesmo fim. Serei confuso? Acredito que não. As palavras que entôo são de amor, os corações que busco são os que desejo amar, ser lúdico me aplica sentença de rejeição.
Por querer muito, desejar muito, buscar tanto, na mesma intensidade em que quero, desejo e busco me decepciono. A expectativa posta em objetos insuficientes causa infortúnio e este último só provará a morte quando eu for todo da minha amada.
De paixões em paixões acabo me lançando. Penso que todo poeta gosta sofrer para na página expor seus sentimentos. Na metade da minha vida não quero ser como os outros, acho imerecido tanto enlevo morrer na solidão. Risadas anaimantes dão prazer indelével, aninhar-se noutra alma é boníssimo até que seja desmontado esse ninho e se caia por terra o pássaro pequeno agora envolto em perigos. Quantos ninhos eu quis, quantos ainda quero, mesmo sabendo da sua indigência. Tu me vês! As questões se repetem, aparecem diante dos meus olhos os mesmos quadros, pintados com a mesma figura, montando o mesmo cenário, expondo o mesmo passado, anunciando o mesmo fim. Serei confuso? Acredito que não. As palavras que entôo são de amor, os corações que busco são os que desejo amar, ser lúdico me aplica sentença de rejeição.
Por querer muito, desejar muito, buscar tanto, na mesma intensidade em que quero, desejo e busco me decepciono. A expectativa posta em objetos insuficientes causa infortúnio e este último só provará a morte quando eu for todo da minha amada.
domingo, 20 de novembro de 2011
XXXI {decidi} [íntegra]
Tentei ser mais teu, amada minha, durante esses dias que se passaram. De não ser procurado, de não ser amado, de não ser requisitado me cansei. Acontece que deixar-se estar nos teus braços é fazer pouca conta disto, mas parece que procurar para ser procurado é uma maneira vil de ser cativo. Sim, me cativei, me prendi em amores que eu mesmo criei, amores que não correspondem aos meus apelos, quando os procuro por palavras indiretas, por gestos indiretos. Os sonhos que desvendava eram apenas meus, estava tão preso à frívola poeira de um vento forte que não via meu próprio crime. Rio de mim, sei que ris também. Sou um pobre coitado à mercê de qualquer movimento colorido à minha frente. Meus olhos preferem formas enquanto meu ser suspira verdade. Taxado de insano, por não me impor a vaidade dos outros, agora estou provando o que é ser um pouco deles, é aterrador. Não saberia, minha amada, definir com realidade o que é essa vazia experiência do nada. Andava, e ao meu redor procurava algo que possuísse um valor pelo qual pudesse trocar-te por isto, nada encontrei nem encontraria, tu és tão bela que és impagável, todo o ouro não te valeria, todo os bens por ti nada seriam. E ainda se tudo eu pudesse dar por ti, sem nada ficaria no encalce de te ter.
Esperei tanto. Nunca conversa amena deixei escapar coisas sem valia e me perturbei com isto. Depois vi o quanto me depreciam os comentários que eu mesmo me dou, aparento também algo ou alguém que não poderia ou deveria ser. Um desastre! Meus atos me acusam, minhas mãos estão sujas de intenções que não compreendem a verdade do meu íntimo. Mereço! Falam o que permito, exprimem de mim o que demonstro, muito embora não o seja na verdade, agi erroneamente e mereço ser compreendido à altura do meu proceder. O ato é produto da vontade, do desejo, do anelo. Se a boca expressa o coração, minhas atitudes indolentes gritam minhas imprudências. É triste saber-se insensato. Estou tão longe da sabedoria, e assim tão longe de ti, que me parece impossível aproximar-me de ti. Se tão impossibilidade é real, resta-me apelar a Deus que me dê de ti ainda quando nada é possível.
Esperarei ainda, mas minha espera é repleta de amor. Ainda, como que involuntariamente, vou ao encontro, procuro, me dou, por não saber ser outra coisa que não eu, agir de outra forma que não esquecer-me.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
XXX {palácios} [íntegra]
Minha amada, na cama sempre penso o que seriam os dias sem jamais ter te encontrado, ou como seriam, se em mim não houvesse esperança alguma de abraçar-te sem fim. Penso também no que acontece fora da minha morada, onde tocam os meus olhos, onde ouço canções, onde toco a matéria, onde exalo perfume, onde sinto o gosto das coisas. Penso sobre o que pensam, sobre como se comportam os que de alguma maneira encontram no fulgaz um refúgio. Me sinto estranho, as vezes estrangeiro, diante de tantas formas de ser que nada são, diante de tantas maneiras de agir que não agem bem, diante de tantas palavras que nada conseguem dizer a não ser coisas vãs, me sinto estranho por pensar de maneira diversa, por não comungar com certas ilusões mentirosas, e minha estranheza não advém por negá-las, mas por ser excluído tido por uma espécie de doença. Será eu o doente? Preciso ser um homem sem rosto? E pensar que acham-se mais cheios de estilo os que de forma indiscreta aparecem entre as pessoas, aqueles que vestem roupas ridículas imaginando estar aí sua mais alta expressão de fidelidade ao próprio caráter. Nós nos acrescentamos enquanto precisamos tirar, nós nos vestimos de roupas velhas e o que precisamos é nos despir da falsidade. Nos apresentamos como grandes enquanto a nossa alma reclama ser pequena, não por sonhar pequeno, mas por ser simples. Fazemos de nós meros enigmas, códigos criptografados simplesmente alfanuméricos. Deixamos o mistério e caímos no determinado. E nos achamos sábios, homens inteligentes, só porque entendemos ou decodificamos a matéria. Ó, minha dama, quem é este que te fala? Barro, argila, pó! Sou como os outros, amo para ser amado, procuro para ser procurado e nada faço senão for para buscar a mim. Mas todos são assim? Todos quando dão querem receber?
Minha dama, já me dei tanto, já sonhei tanto, imaginei casas de ouro, onde habitariam eu e aquela estrela, galguei palácios construídos com pedras de amor, feitos de telhados de paz, e chão de felicidade. Como um poeta que faz da caneta uma rosa, escrevi ramalhetes na cor vermelho vibrante. Tudo isso o fiz e sempre foi vão. Errei em me precipitar nos braços de uma outra esperando ser ela a verdadeira brilhante, quase lhe causo dor e amargura. Minha dama, sonho ainda, espero ainda, e tento, exprimindo em setas, lançar num olhar esse sonho e fazê-lo chegar ao céu.
domingo, 13 de novembro de 2011
XIX {meu flagelo} [íntegra]
Me esforcei tanto essa noite, procurei estar à altura do que os homens pensam ser belo. Isso é fácil conseguir, na verdade o que é de fora se muda com toque de qualquer tinta ou lápis. Sim, minha amada, vejo que não sou todo teu agora. Depois de ter acordado repenso o que fiz na noite anterior com medo de que minhas ações sejam tomadas em conta de erro. Minha consciência é reta, sei o que fiz e não penso ter errado, mas este é o grande perigo. Pensar que estou certo à minha maneira, segundo os meus ditames é um pouco narcisista. O jogo aqui fora é de corpos e caras, vejo rostos bem pintados, quase que mascarados, confundindo os olhos dos que vêm o que está na superfície. Corpos se balançam e eu também, até aqui tudo natural, mas quero mais, anseio por infinitude, esse balanço não me dará o que quero, esses olhares recusam o meu porque pensam ser eu um perigo, ou assemelham todos os outros a si próprios. No escuro todas as pessoas se tornam iguais, embora pensem diversamente, todos estão querendo a mesma coisa. Eu quero o que todos querem, mas não no que toca ser como a multidão, quero estar contigo minha dama. Todos querem isso, mas uma coisa é querer-te, outra é ter-te. Eu te quero, mas não sei ainda se te tenho. Sonho contigo todos os dias, mas também me lanço nos braços de outras pensando com elas ser parte da multidão. E o sou! E isso me maltrata, eu me firo, isso é o meu flagelo.
Que preço estou pagando para ganhar um pouco de atenção, para que meus olhos fitem outro olhar com um sorriso? Será que me veem como tu me vês? Não, não! Sou visto por fora e acho que está na hora de acabar com essa sensação funesta de ser comparado. Preciso ser teu, é o que consigo entender com tantas ciladas.
Eu sou assim, um homem perdido em seus romances, dividido em si mesmo, mas certo do que precisa para ter sua amada. Tido por aquilo que pensam de mim, achado entre esses que pensam-me como alguém douto nalguma coisa, sábio noutras, sei quem sou, perdido em mim mesmo querendo estar a sós contigo.
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