Sou um bobo, quase menino, daqueles que se alegram com pouquinha coisa, que se enganam com um pequeno presente, que sorriem com fisionomias deformadas de outrem. E se me alegro com pouco, com menos ainda me amarguro. Me mandam um beijo e sinto-me nas alturas, penso-me superior por tão ínfima coisa, o juntar de lábios que para mortais representam coisa tão forte. Sinto a ausência de abraços, afagos, palavras, atenção. Cobro e espero que alguns me dêem o que lhes dei. Sou mais que tolo, diria, um mercenário que espera receber o preço do que vende. Que entrave! De um lado combato, do outro sou atacado, tento me convencer que não preciso conformar-me por ser miserável, mas grande número de sofrentes é assim, me conformar seria cumprir uma espécie de lei geral.
De paixões em paixões acabo me lançando. Penso que todo poeta gosta sofrer para na página expor seus sentimentos. Na metade da minha vida não quero ser como os outros, acho imerecido tanto enlevo morrer na solidão. Risadas anaimantes dão prazer indelével, aninhar-se noutra alma é boníssimo até que seja desmontado esse ninho e se caia por terra o pássaro pequeno agora envolto em perigos. Quantos ninhos eu quis, quantos ainda quero, mesmo sabendo da sua indigência. Tu me vês! As questões se repetem, aparecem diante dos meus olhos os mesmos quadros, pintados com a mesma figura, montando o mesmo cenário, expondo o mesmo passado, anunciando o mesmo fim. Serei confuso? Acredito que não. As palavras que entôo são de amor, os corações que busco são os que desejo amar, ser lúdico me aplica sentença de rejeição.
Por querer muito, desejar muito, buscar tanto, na mesma intensidade em que quero, desejo e busco me decepciono. A expectativa posta em objetos insuficientes causa infortúnio e este último só provará a morte quando eu for todo da minha amada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário