Tentei ser mais teu, amada minha, durante esses dias que se passaram. De não ser procurado, de não ser amado, de não ser requisitado me cansei. Acontece que deixar-se estar nos teus braços é fazer pouca conta disto, mas parece que procurar para ser procurado é uma maneira vil de ser cativo. Sim, me cativei, me prendi em amores que eu mesmo criei, amores que não correspondem aos meus apelos, quando os procuro por palavras indiretas, por gestos indiretos. Os sonhos que desvendava eram apenas meus, estava tão preso à frívola poeira de um vento forte que não via meu próprio crime. Rio de mim, sei que ris também. Sou um pobre coitado à mercê de qualquer movimento colorido à minha frente. Meus olhos preferem formas enquanto meu ser suspira verdade. Taxado de insano, por não me impor a vaidade dos outros, agora estou provando o que é ser um pouco deles, é aterrador. Não saberia, minha amada, definir com realidade o que é essa vazia experiência do nada. Andava, e ao meu redor procurava algo que possuísse um valor pelo qual pudesse trocar-te por isto, nada encontrei nem encontraria, tu és tão bela que és impagável, todo o ouro não te valeria, todo os bens por ti nada seriam. E ainda se tudo eu pudesse dar por ti, sem nada ficaria no encalce de te ter.
Esperei tanto. Nunca conversa amena deixei escapar coisas sem valia e me perturbei com isto. Depois vi o quanto me depreciam os comentários que eu mesmo me dou, aparento também algo ou alguém que não poderia ou deveria ser. Um desastre! Meus atos me acusam, minhas mãos estão sujas de intenções que não compreendem a verdade do meu íntimo. Mereço! Falam o que permito, exprimem de mim o que demonstro, muito embora não o seja na verdade, agi erroneamente e mereço ser compreendido à altura do meu proceder. O ato é produto da vontade, do desejo, do anelo. Se a boca expressa o coração, minhas atitudes indolentes gritam minhas imprudências. É triste saber-se insensato. Estou tão longe da sabedoria, e assim tão longe de ti, que me parece impossível aproximar-me de ti. Se tão impossibilidade é real, resta-me apelar a Deus que me dê de ti ainda quando nada é possível.
Esperarei ainda, mas minha espera é repleta de amor. Ainda, como que involuntariamente, vou ao encontro, procuro, me dou, por não saber ser outra coisa que não eu, agir de outra forma que não esquecer-me.
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