A doença me tirou o sentido da diferença entre o amargo e o doce, tão estranha essa não sensação do paladar para mim, de tal forma que algo que detesto ou outra coisa a que tenho muito gosto se tornam sem repulsa ou sem prazer. Assim, sinto-me em tantas coisas que afetadas pelo peso de uma espécie de enfermidade mental, me fazem optar pela maldade sem sentir a diferença entre ela e o bem. Todas as vezes que de alguma forma me encontrei em tal situação foram debilidades minhas que me incitaram a errar pela incompreensão entre o que é agradável para ter a minha dama e o que é completamente repugnante e que me afasta dela. O remédio que deixa na garganta resquícios da sua passagem é um tanto quanto desagradável, mas pior que ele é a dor de entender em que situação me encontro só porque estou necessitado de cuidados. E se tal doença me põe frente à minha limitação, que direi eu agora posto diante da compreensão do que me afasta da minha rainha, tal coisa pior que doença curável com remédios de esquina? Debilidades minhas me tornaram refém da minha própria miséria e optar já não era tão livre quando se não ponderava entre o justo e o injusto com o verdadeiro sentido entre tais realidades, pois que uma se confundia com outra motivada pelo fim. Um verdadeiro embaralho se deu na minha razão, que agora queria a loucura achando nela algum proveito, perdendo-se assim longe da minha senhora, minha rainha, indo tão afastadamente que incontáveis medidas se somariam para um cálculo. Uma aberração. O monstro se vestiu de beleza, assim como a fera violenta num corpo belamente escupido faz parecer-se pura e inocente, tudo por uma infame doença que se dissemina por todo o meu corpo.
Eu doente não te quis, enquanto tudo em mim te reclamava por dentro. Achava eu que prestava-te homenagem enquanto me prostrava por sobre tapetes ao avesso pensando ver a tua beleza, por causa da doença que me pervertera a lucidez. Um caos se instalou dentro da minha tenda, cair em mim foi tão demorado que quando vi o que tinha feito, o rastro que ficou com as marcas das minhas pegadas, as lágrimas transbordaram os meus olhos tão cortantes quanto espadas afiadas. Vozes insistem em querer aumentar a culpa pelo cometido, pensando que passos dados constam só de um pé ou de uma pessoa só, mas por mais que se queira a culpa nunca é solitária. A sequela da minha atitude é amarga, só eu sei o seu desgosto, me restou seguir ao encontro da dama e rainha da minha vida, não de resto vou a ela, é que no fim tudo me conduziu aos seus braços, lá quero eu permanecer sem fim, para abrir no horizonte um caminho sem pedras e de pegadas diferentes, onde as núpcias entre eu e minhas dama sejam tão perfeitas quanto sem ocaso, pois que sofrido eu tanto a dor da doença agravante, agora queros os seus remédios que aterrorizam minhas paixões lançando-as para fora do meu corpo para sem volta ficarem, lá onde serão expulsas. Minha dama, a única doença que posso desejar agora é aquela que me faça, tal qual moribundo, depender de teu afeto.
Nando,esse texto veio ajudar e muito a mim e a minha irmã.Pois meu pai está passando por esse momento, e pra nós família tem sido dificil, pois nunca tinhamos nos deparado com a doença.Muito bom seus textos.Um abraço.
ResponderExcluirQue bom! Deus em sua misericórdia nos ajuda a caminhar. Deus dê a tua família a graça da cura. Abraços
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