quarta-feira, 4 de maio de 2011

XII {dias de chuva} [trechos]

Muitas chuvas nesses dias, nuvens turvas, ausência do sol, um pouco de frio e também tristeza não muito freqüentes nestas épocas, fazem desse tempo um pouco diferente dos outros. A lama e os pés, molhados e sujos, percorrem o caminho de todos os dias buscando amparo para não se molhar, à noite as estrelas não são vistas, trovões e relâmpagos espalham ainda mais o ambiente de morbidez. Chuvas tão rápidas quanto fortes varrem a terra para os bueiros malcheirosos. Uns sob cobertas não se molham mas se enchem de torpor tentando amenizar o sofrimento que faz lembrar tal cenário. Todos fogem, ou suportam, a tal enfado, toleram por meio de algo que se faça esquecer e se possa recorrer quando se dá a conta da realidade. E eu em minhas preces pedindo algo que me seja a sombra do que desejo de fato também com a vontade emburrada em fugir por um instante da frustração e das reações que me causam essa morada. Os pés sujos de lama são os meus e as angústias minhas são as que a morbidez dessas chuvas molham. Tento amparar-me mas em vão me esforço para tanto, ao passo que minha cabeça não está envolvida por água os meus joelhos estão titubeando na correnteza das enxurradas. Mas o homem que te conhece amada, não sofre o risco de padecer na direção do ímpeto, este último é como as asas de uma borboleta sem muita força para o que é grande. Minha rainha, não são só esses dias que me acabam por dentro e por fora me humilhando e pondo-me sob condição servil. Eles ganham a força das paixões que objetam uma sombra, um som, um cheiro, uma cor, um gosto. Ser só teu, jogado absurdamente em teus braços é o que procuro, sem que a tristeza me tente infundir a loucura de pensar que estou liberto quando faço a minha vontade somente.

Fico a espera de ver tocar um telefone me dizendo coisas que quero ouvir, que me fazem sentir que as seguranças são as situações por sobre as quais se pode constituir alguma coisa. Mas me ligam, e minha amada, para o bem de nossa união, fico a desejar somente que se acabe tal contato para que nada seja contrário a nossa paz. É assim, as chuvas trazem consigo os ventos e muitas outras coisas, que não só fazem parte da força da natureza, trazem consigo lembranças, coisas um dia esquecidas mas que teimam em vir a minha frente para me fazer tendenciar à maldade ou ao perigo de cair. Trazem sonhos, fantasias, constrangimento, mas também desejo de te encontrar em tais infortúnios.

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